13.7.16

Recomeço


Olá pessoa! Eu sei que estive sumida por bastante tempo, mas voltei e dessa vez cheia de novidades, coisas boas, surpresas e inspiração.

Quando eu criei o blog, além de ser uma homenagem a minha vózinha querida - e a realização de um sonho - o intuíto era manter minha família e amigos informados de tudo que se passava na minha vida na Europa. A verdade é que eu não postei tanto quanto gostaria ou deveria, porque a vida lá era corrida, o tempo voava e eu preferia gastá-lo vivendo aquela experiência ao máximo ao invés de escrevendo aqui. 

Desde o dia em que eu comecei a escrever no blog eu pensei em como seria o final dele, afinal um dia quando o intercâmbio acabasse o blog acabaria junto, certo? O tempo passou, a Holanda acabou, minha vida se transformou em uma montanha russa e por mais que eu quisesse e tentasse não consegui mante-lo vivo, sabe como é né? Essa vida corrida e cheia de coisas para fazer (soquenão) que toma todo o meu tempo.

Para os perdidos na vida (tudo bem, é difícil me acompanhar, eu entendo), eu estou morando na Áustria atualmente. Não, eu não sei nada sobre o futuro, o que estou fazendo da minha vida (mentira, eu sei, eu acho, não, pera aê...), onde vou parar, se e quando vou parar de ser nômade ou cigana como minha mãe me chama. O fato é: eu percebi que ainda tenho muito o que contar, não só para minha família e amigos, mas para todos que queiram saber um pouco das minhas histórias.

A vida é cheia de surpresas, desafios, finais e começos. Eu e o blog já passamos por tantos que mais um não doerá. Sendo assim, eu declaro oficialmente um novo começo a nós. Vamos tirar as teias de aranha e preparar-se para uma nova etapa, um novo ciclo, um novo capítulo. Novidades virão em breve, pois agora estamos literalmente " EM OBRAS". 

Até logo, beijos
Camila Fernandes

24.8.15

Happy ONE YEAR in Holland!

Siiiiim, um ano de Holanda, um ano fora de casa. Missão cumprida!




Uma das perguntas que eu mais ouvi desde que cheguei é: "Mas você passou realmente um ano certinho lá?", eu sempre falo que sim porque considero que sim, mas na verdade eu voltei 3 dias antes de completar um ano, não porque eu quis, mas porque a Holanda é tão chata com isso de visto que não pude ficar mais, porém eu digo e continuarei dizendo que sim, eu passei um ano certinho lá.


o dia em que eu quase morri queimada em um barco em Amsterdam

Antes de eu ir muitas pessoas afirmaram com toda a certeza do mundo que eu não aguentaria passar um ano lá, que eu não passaria nem quinze dias, que eu era muito mimada para ficar longe da minha família, que era só tempo e dinheiro perdido e blablabla, pois bem, eu bati na tecla que aguentaria e iria de qualquer jeito, acreditei em mim e fui! O que eu digo a quem não botou fé em mim é: graças a Deus eu não ouvi vocês e acreditei em mim e no meu sonho. Aos que acreditaram, muito obrigada! Fui, voltei e fiz muito mais do que muitos jamais farão.


Yes baby, Eiffel Tower - Paris 

Passar um ano longe de casa não foi tão fácil assim, claro que eu senti saudade, chorei, senti dor no coração, desejei com todas as minha forças estar perto da minha família e amigos (principalmente no natal), as vezes que fiquei doente a única coisa que eu queria era minha vó e algumas vezes eu me perguntei o que é que eu estava fazendo lá, mas com certeza os momentos bons foram muito maiores que esses momentos "difíceis".




Durante meu ano na Holanda eu fui a pessoa mais feliz do mundo, eu aprendi muito, cresci muito, mudei muito, realizei inúmeros sonhos, mudei minha visão de mundo, meu jeito de pensar sobre tudo, voltei mais calma, mais leve, mais compreensiva, mais conectada a mim mesma, mais realizada. Eu me descobri lá, eu me encontrei, eu me amei do jeitinho que eu sou, eu consegui a paz interior que eu tanto procurava, bem como a minha formula da felicidade.


batata holandesa com muuuita maionese

Eu tenho um amor enorme pela Holanda, pela cor laranja, pelos loiros dos olhos azuis, pela cerveja holandesa, pelo stroopwafel, por andar de bicicleta, por ser direta, pelos moinhos e barcos, pelos canais e prédios altos, pelas tulipas e pelo mix que Amsterdam se mostrou ser, pela beleza do país e educação das pessoas, tenho um amor por tudo que vem de lá, tanto que é só falar de Holanda ou que algo é holandês que eu paro tudo que estou fazendo para prestar atenção. 




Esse amor todo é por tudo que eu me tornei lá, por toda a bagagem que eu trouxe comigo. Sim, eu rodei bastante a Europa, mas a primeira de tudo foi a Holanda e como todo mundo diz, a primeira vez a gente nunca esquece. A Holanda me proporcionou coisas incríveis, claro que muito disso tudo veio de mim mesma, mas sem a Holanda muitas coisas jamais teriam acontecido.


Parque das tulipas - Van Gogh

Hoje, um pouco mais de um ano depois de ter embarcado para lá eu sou só elogios e agradecimentos a esse país tão maravilhoso, as pessoas de lá que ao contrário do que todos dizem não são frias, a todos os amigos que eu fiz, as pessoas que eu conheci e ficaram, as que foram só de passagem, as que me deram apoio quando eu mais precisei, as que eu nem tive a chance de perguntar o nome mas me mostraram o caminho certo quando eu estava perdida em minhas viagens. 

Agradeço especialmente a minha host family que me ajudou tanto, que foi tão boa comigo, que me ajudou a realizar muitos sonhos e aos meus amigos mais próximos que sempre estiveram lá. Agradeço também a minha família e amigos daqui por terem acreditado em mim e me apoiado quando eu mais precisei e claro, a Deus que esteve comigo durante esse ano todo e me deu forças para conseguir realizar esse sonho e cumprir essa missão.





Último fim de semana na Holanda

Meu ano acabou, boas memórias e histórias engraçadas ficaram, um amor infinito pela Holanda que eu terei para sempre e uma gratidão enorme a todos que me ajudam da forma que puderam. 

Eu vou morrer de saudade! 

Happy 10 and 11 months in Holland!

Ok, talvez não tão happy assim, esse é meu último mês aqui e não, não tem como pular de alegria e comemorar como fiz nos primeiros meses. Esse mês o bolo quebrou quando eu o desenformei - como sempre em formato de coração - então a Isa comentou com minha host mom e ela disse "Não tem problema, porque o coração da Camila também está quebrado", morri!




O bolo estava lá, as velas também e a comemoração como sempre não poderia faltar, foi aí que eu disse aos meus hosts "Ah, mas não é bem uma comemoração, eu estou triste, estou indo embora e não tenho o que comemorar" e como resposta obtive uma das coisas mais sincera, verdadeira e doce que já ouvi. Eles me disseram algo do tipo:

Ok, você está indo, estamos tristes, mas hoje vamos comemorar tudo que você viveu aqui, todas as alegrias, experiências, viagens, aprendizados e sem duvidas a felicidade que você teve durante seu ano e comemoração é comemoração, então vamos comemorar.

Sim, eles estão certíssimos! Eu estou muito triste por estar chegando ao fim da melhor  e mais incrível experiência que eu já tive na minha vida, mas não termino ela apenas com lágrimas nos olhos, termino com um sorriso enorme, uma alegria maior ainda por ter concluído meu ano/minha missão com êxito, por ter sido tão forte e guerreira, por ter superado obstáculos e dificuldades e claro, porque eu aprendi tanto aqui, fui tão feliz, tão amada, cresci tanto e tive a chance de vir e mais do que isso fui abençoada por Deus com uma família e amigos incríveis (I was blessed with an amazing family and friends - for you Eef!).

Sou grata! Grata a Holanda, grata as minhas famílias, a brasileira e a holandesa, aos meus amigos ao redor do mundo, a Deus e a mim mesma. O que eu vivi aqui jamais alguém tirará de mim, jamais será esquecido. 


Obrigada, Thanks, Dank je wel!


A vida contiua

Olá para quem ainda está por aqui, no meu blog abandonado! 

Eu criei esse blog com o intuito de manter minha família e amigos aqui do Brasil informados sobre minha vida na Holanda. Prometi que sempre o atualizaria com fotos, notícias e curiosidades sobre a minha Holandinha e a vida na Europa, porém isso não aconteceu como planejado porque o tempo voava para mim lá e eu não tinha muito tempo de escrever. 

Antes mesmo de acabar meu intercâmbio eu (e algumas pessoas) me perguntava o que eu faria com o blog quando eu voltasse para o Brasil e a verdade é que eu não sabia o que fazer. Eu nunca pretendi abandona-lo, sempre tive pavor de blogs abandonados, mas eu não conseguia ver um sentido em mante-lo afinal eu só o criei para manter contato e estar mais perto do povo do Brasil, logo quando eu estivesse aqui não teria motivo algum de continuar. Porém eu percebi que mais pessoas além da minha vó acompanhavam minhas aventuras e tinham/tem curiosidade em saber mais, em saber a continuidade da minha história, por isso eu resolvi que continuaria escrevendo por aqui, até eu não ter mais histórias para contar.

Eu demorei um pouco para voltar aqui, para conseguir abrir meu blog e escrever algo, porque mesmo depois de 1 mês que eu cheguei meu coração ainda dói ao lembrar da minha Holandinha, da minha vida lá, dos meus amigos, amores, aventuras, alegrias, etc, mas essa dor eu sempre sentirei porque valeu a pena, tanto que deixou saudade e hoje eu entendi que ao invés de eu fugir dessa dor, das minhas lembranças e histórias, eu devo lembrar delas, conta-las e sentir a dor, a saudade, a alegria que tiver que sentir, chorar, rir, porque a vida continua, ela não vai esperar eu me adaptar ao Brasil, a minha vida aqui, para seguir em frente.

Eu ainda tenho muitas histórias para contar, como as viagens mais mágicas que eu fiz (Paris e Londres) por exemplo, então se você tem curiosidade em saber essas minhas besteiras, "ouvir" minhas histórias continue por aqui, pois eu continuarei.

Kusjes.

21.6.15

Trinta dias


Um mês, quatro semanas, trinta dias, 720 horas. Esse é o tempo que falta para eu estar nos braços e beijos de vocês. É o tempo que falta para eu chegar no dia mais torturante da minha vida: dizer adeus a uma nova vida a qual eu sou loucamente apaixonada. É o tempo que falta para eu entrar num avião, ver minha Holandinha pela última vez e me preparar para chegar ao lugar o qual eu me orgulho de ter vindo. É o tempo que falta para eu volta para casa, para o meu Brasil.

Não me leve a mal, mas sim, eu estou triste, tão triste que sinto uma dor terrível no meu coração, afinal estão tirando de mim a minha vida nova, a qual eu sofri para construir, a qual me faz ser a pessoa mais feliz desse mundo, a qual me ensinou que eu sou livre, que eu sou capaz, a qual eu me orgulho de ter vivido. Sim, eu já perdi muitas coisas nessa vida, mas essa perda, ah essa está me matando aos poucos.

Não me leve a mal, mas NÃO, você não me entende, você acha que eu sou mimadinha, frescurenta e ingrata, mas você não sabe nada da vida, você não viveu o que eu vivi, você não viu o que eu vi, então NÃO, não me venha com esse papinho ridículo de que vai ficar tudo bem, que eu deveria estar feliz por estar voltando para minha casa, para minha família, amigos, para meu país, como se eu não tivesse tudo isso aqui.

Não me leve a mal, mas fique quieto, respeite minha dor, minha tristeza, respeite o fato - e o meu direito - de estar triste por ter tido o melhor ano da minha vida e ter que me despedir dele. Dele, dos meu novos amigos, da minha nova família, do meu novo país.

Não me leve a mal, mas faz o seguinte, não fala nada não. Me deixa. Me deixa chorar, gritar, me sentir idiota, sentir saudade. Me deixa quietinha com meus sentimentos, os quais você julga serem negativos e infantis. Me deixa desejar até eu não conseguir mais, poder voltar. Me deixa falar meu inglês misturado com holandês que você não entende. Me deixa falar das mil e uma coisas que vivi aqui 200 vezes.

Não me leve a mal, mas NÃO, eu não sou ingrata, pelo contrario, talvez esse seja o motivo de tanta tristeza e lágrimas. Não me julgue, só entenda que não será apenas levantar a cabeça, colocar o meu melhor sorriso no rosto e seguir em frente. 

E por fim - com um desespero assustador no meu coração - eu te digo: não me leve a mal quando você ler tudo isso, pois apesar da dor, da tristeza, da vontade de me jogar na frente de um trem eu estou sim muito feliz e ansiosa para voltar. Estou com muita saudade de tudo, dos amigos, da família, da nossa cultura, da nossa comida, de ir ao mercado e entender todos os rotulos, do calor humano dos brasileiros, dos abraços, do Brasil. E ao mesmo tempo que estou chorando ao pensar que só tenho mais um mês aqui, estou contando os minutos para poder chegar e rever todo mundo.

Não me leve a mal!

6.5.15

República Tcheca

A chegada prevista em Praga era lá pelas 3 horas da madrugada, porém, quem disse quem chegamos lá esse horário? Chegamos as 05:00, mortas. Eu acho viagens de trens cansativas porque ele para em várias estações e eu sempre tenho medo de dormir e perder a minha então fico acordando o tempo todo e foi assim minha noite no trem.


A moeda é diferente em Praga, não é euro, as casas de cambio estavam fechadas e a que abriria mais cedo seria 06:30. O jeito era esperar, estávamos cansadas, com fome, com sono e foi aí que eu me lembrei que aquele australiano que eu conheci em Bratislava tinha me dado umas moedas "praguenses" (esqueci o nome da moeda de lá), porque ele tinha passado por lá e não voltaria, naquele segundo eu amei tanto ele, mandei tantas energias positivas em agradecimento que ele deve ter sentindo até uma paz interior enorme. Consegui comprar dois cafés e ainda sobrou troco. 


Eu e Bells sentamos no lugar onde eu comprei o café e usamos o wifi para descobrir se valeria a pena sacar dinheiro da nossa conta holandesa (que sairia na moeda local) ao invés de trocar, pois as taxas de troca estavam muito altas. Não estávamos com 100% de certeza, mas decidimos sacar e foi a melhor coisa que poderíamos ter feito. Fomos para o hostel, mas não pudemos fazer o check-in, tivemos que esperar o café da manhã, aproveitamos e comemos. Depois a moça da recepção fez a maior confusão, nos deixou confusa mas por fim conseguimos pagar a reserva e ir para o quarto dormir.


Quando acordamos fomos ao mercado, a Bells foi comer num restaurante vegano e eu fui para o hostel comer pizza. Conheci um brasileiro lá que disse ser médico neurologista. Não acreditei muito não. Quis chorar a hora que cheguei no hotel, achei horrível e se ele fosse médico mesmo não estaria lá, pensei eu, mas no fim da viagem eu estava apaixonada pelo hostel. Nessa noite saímos com uns meninos que estavam no hostel. Fizemos amizade com uns franceses do nosso quarto e depois com o povo todo que estava na cozinha e fomos todos juntos.


Eu me apaixonei por um turco, ele estava no hostel também e no bar ele veio me procurar, o que consideramos milagre aqui porque esses europeus, vou te contar viu, enfim, conversei com ele, depois nos perdemos, aí meu narriz começou a sangrar demais (para quem não sabe ele sempre sangrou e do nada, desde que eu era criança), quando finalmente parou achei a Bells que estava conversando com o monge (um ser que estava no hostel, parecia um monge, falava supeeeer baixinho que não dava para entender nada e que disse estudar teologia ou algo do tipo, era da China se não me engano, para nós será monge forever). Salvei ela da situação porque ele era muito chato e um dos franceses pagou bebida para ela, nisso encontrei meu turco e terminamos a noite abraçados, voltamos para o hostel assim, eu e ele e Bells e o monge hahahaha.



No dia seguinte, era 31/12/2014 fomos dar uma volta no centro da cidade, vimos umas coisas que eu queria, tentamos fazer o walking tour mas perdemos porque a Bells quis tirar foto com um porquinho --' comi no subway esse dia, lembro que não estava um clima de ano novo no ar, estava tão estranho, frio, neve, eu cheia de roupa. Mais tarde encontramos a amiga da Bells, antes eu quase dormi em pé num shopping, fomos para o nosso hostel, cozinhamos (feijão, lentilha e nosso risoto de natal), jantamos e fomos para o centro ver os fogos com o indiano que estava no nosso quarto.


O plano era ir para o castelo e ver os fogos de lá, mas claro que estávamos atrasados e perdemos. Paramos numa praça lá para ver os fogos, estava garoando. Foi estranho, eu chorei. Senti saudade de casa, de pular as sete ondas (eu a Giovanna pulamos sete degraus de escada rolante - na verdade foram uns 20 :P), do calor, de abraçar minha família... Fiquei um pouco desorientada pela meia hora seguinte, tentamos ir para a Charles Bridge, sem sucesso, os transportes pararam de funcionar e o indiano estava nos deixando loucas! No meio do caminho nos separamos dele e tentamos voltar para o hostel, paramos num mercadinho, eu comprei sorvete e fomos procurar um ônibus.

Sim vó, tomei cerveja de maconha, mas
juro que foi sem querer, escolhi a mais
barata e nem vi que era de maonha.

Pegamos um ônibus e depois um metrô cheio de gente doida, um cara super bêbado conversando com a gente, no final até que foi engraçado e eu choro de rir ao lembrar, mas na hora eu queria chorar. Chegamos no hostel e estava um super cheiro de sopa, eles tem uma sopa típica para o fim do ano lá, a cozinha estava cheia de meninos comendo e assim que pisamos lá eles gritaram em inglês "Feeeeeeliz ano novo" eu respondi e comecei a falar com um deles em inglês até que o amigo dele disse depois de ouvir a Giovanna e a Bells conversando: "Cara por que você tá falando em inglês? Ela é brasileira." e foi aí que viramos amigos.


Fiz um macarrão porque estávamos com fome, dali a pouco chegaram outros amigos dos brasileiros e o turco com os amigos turco dele. Ficamos até as 08:00 da manhã na cozinha, esperamos o café, comemos, a Gi foi para o hostel dela e eu e o nosso novo amigo fomos dormir. Quer dizer, eu fui tentar trocar minha passagem antes de ir dormir, porque eu iria embora naquele dia as 17:00, felizmente consegui trocar, voltei para o hostel, dormir, mais tarde todo mundo acordou e ficamos no hostel fazendo nada, jogando UNO, ouvindo música, conversando até tarde.


No dia seguinte fomos no castelo e na Charles Bridge, depois voltamos para o hostel, terminei de arrumar minhas coisas e peguei o ônibus que me traria a minha amada Holandinha. Sem dúvidas esse fim de ano foi um dos mais especiais da minha vida. O anterior a esse foi demais, na praia, com toda a minha família, mas esse teve uma mágica diferente, eu estava realizando meu sonho, estava em outro país, estava viajando, conheci gente nova, fiz loucuras e isso não tem preço.


Depois de 14 horas dentro de um ônibus, finalmente cheguei em casa, quer dizer, cheguei na estação perto de casa, ainda tive que pegar um trem até Naarden, fui para casa andando, arrastando minha mala. Eu estava feliz, me lembro de rir sozinha na rua, finalmente eu estava em casa, minha rotina, minha caminha confortável, meu chuveiro quentinho, meus amigos, minha família, comida e claro estava feliz por ter feito isso, 15 dias viajando "sozinha" pela Europa, jamais terei como descrever o quão incrível foi essa experiência, mas ao mesmo tempo eu estava triste, porque foi tão incrível viajar, praticamente todo dia estar em um lugar diferente, que eu passaria mais 10, 15, 20 dias viajando e claro porque as amizades e coisas que vivi nessa viagem ficariam nela, tinham acabado, eu infelizmente não pude traze-las na mala comigo e principalmente porque eu sabia que aquilo marcava metade do meu intercambio, eu sabia que eu só tinha mais metade do meu ano aqui e eu não estava preparada para isso.

Eslováquia

Chegamos na Eslováquia já era tarde, acho que umas nove horas, estava nevando, tudo branco. Fizemos o check-in no hostel, e fomos atrás de um mercado aberto, pois estávamos com fome e não tínhamos comida. Felizmente achamos uma portinhola aberta, compramos umas coisinhas e fomos para o hostel, claro que eu quase caí mil vezes na neve.


A Bells começou a cozinhar e eu fui tomar banho. Estava cheeeeio de meninos no "hall" do nosso andar, que era onde ficava a cozinha, os banheiros e alguns quartos, eu percebi que eles ficaram me olhando quando eu entrei no banheiro mas nem dei bola - Camila começando as trapalhadas da vida - só entendi o porque quando eu saí do banho e a Bells me disse que eu estava no banheiro masculino. 


Jantamos, aliás vó, agradeça a Bells, ela me ensinou nesse viagem a comer lentilha e feijão (: e foi essa nossa janta se não me engano, porque não tínhamos muito, mas estava ótimo, estávamos conhecendo o mundo, nos jogando de cabeça numa aventura fantástica da qual nunca nos esqueceremos. Fomos para o bar do hostel que estava fechado --' e como não tínhamos muitas opções fomos dormir. 


No dia seguinte, demos uma volta ao redor (Bratislava é muuuuuuuuito pequena), almoçamos, compramos umas coisas porque  é muuuuuuuuuuuuuuuuuuito barato tudo lá, me senti muito rica, aliás acho que eu fui rica lá haha. Fomos ao mercado, compramos comidinhas e bebidinhas e voltamos para o hostel cozinhar e tomar banho, mas antes demos uma passadinha no bar onde conhecemos um monte de brasileiros, um australiano que eu amo tanto, mas tanto porque ele salvou nossas vida em Praga (próximo destino, lembre-se do australiano) e mais uma galera de várias nacionalidades. Combinamos de ir para a night juntos.


Saímos do hostel numa galera, parecia arrastão. Tinha nevado o dia todo, o chão estava cheio de pedras enormes de gelo e coberto de neve e assim fomos nós, chutando pedras e tremendo de frio. Chegamos na baladinha que não estava láááá essas coisas, mas era o que tinha para noite. Lá eu tomei a pior cerveja da minha vida. Depois de 5 minutos na balada me senti no Brasil, só tinha brasileiro no lugar e pior (ou melhor) estavam todos no nosso hostel, metade deles no nosso quarto, eeeeee mundo pequeno viu, Brasilzão dominando as Europa.


No outro dia acordamos cedo e fomos fazer o tal do walking tour (um tour andando, vó), porém estava muuuuuuuuuuuito frio, uma nevasca super forte, uma neve no chão que dava para afundar o pé, continuamos, mas chegou uma hora que não aguentamos mais e desistimos. Entramos num café, tomamos um coffee bem quentinho, nos aquecemos e criamos coragem para sair no frio novamente. 


Visitamos um castelo e fomos comprar nossas passagens para Praga, nosso próximo e último destino (sim, deixamos para a última hora, só digo uma coisa: BELLS!), claro que não tinha mais ônibus, nem caronas, nem nada. Quando eu já estava quase sentando no chão e chorando conseguimos comprar uma passagem de trem para a mesma noite. Voltamos para o hostel, encontramos nossos amigos brasileiros, dormimos sentadas no sofá, jantamos e fomos para a estação de trem. Claro que precisava fazer uma para fechar com chave de ouro Bratislava, pois bem, saí para comprar água, já que nossa viagem de trem seria longa, porém parei para comprar um café e quase perdi o trem :D mas no final deu tudo certo e partimos rumo a República Tcheca.